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Notas sobre sociologia

Sociologia

A Sociologia, ciência que tenta explicar a vida social, nasceu de uma mudança radical da sociedade, resultando no surgimento do capitalismo.
Durante a Revolução Francesa, surgem os iluministas, que querem transformar a sociedade pregando a liberdade e a igualdade dos indivíduos. Esse cenário leva à constituição de um estudo científico da sociedade.
Com isso, surge o Positivismo, que tenta reorganizar a sociedade, estabelecendo a ordem, conhecendo as leis que regem os fatos sociais. Junto ao Positivismo nasce a “ciência da sociedade”, a Sociologia.
Quatro pensadores se tornam os pilares da Sociologia.

1. Auguste Comte

Considerado o “pai da Sociologia”, esperava unificar todos os estudos relativos ao homem — inclusive a História, a Psicologia e a Economia. Seu esquema sociológico era tipicamente positivista, e acreditava que toda a vida humana tinha atravessado as mesmas fases históricas distintas e que, se a pessoa pudesse compreender este progresso, poderia prescrever os remédios para os problemas de ordem social.
Sendo positivista, sua filosofia era uma reação às tendências iluministas. Então, a filosofia não podia somente questionar e criticar, mas sim organizar a sociedade.
Sua visão ainda nega que a explicação dos fenômenos naturais, assim como os sociais, provenha de só um princípio. A posição positiva de análise dos fatos abandona a consideração das causas dos fenômenos (Deus ou natureza) e torna-se pesquisa de suas leis, vistas como relações abstratas.
Assim, os fenômenos sociais podem ser percebidos como os outros fenômenos da natureza, ou seja, obedecendo a leis gerais.
A partir da percepção do progresso humano, Comte formulou a Lei dos Três Estados. Observando a evolução das concepções intelectuais da humanidade, Comte percebeu que esta evolução passa por três estados teóricos diferentes: o estado ‘teológico’ ou ‘fictício’, o estado ‘metafísico’ ou ‘abstrato’ e o estado ‘científico’ ou ‘positivo’, em que:
• No primeiro, os fatos observados são explicados pelo sobrenatural, ou seja, as idéias baseadas no sobrenatural são usadas como ciência. Ainda nesta fase, a sociedade se encontra em uma estrutura militar fundamentada na propriedade e na exploração do solo.
• No segundo, já se encontram as idéias naturais, mas ainda há a presença do sobrenatural nas ciências. A indústria já se expandiu mas não totalmente, a sociedade já não é francamente militar. Pode-se dizer que este estado serve apenas de intermediário entre o primeiro e o terceiro.
• No terceiro, ocorre o apogeu do que os dois anteriores prepararam progressivamente. Neste, os fatos são explicados segundo leis gerais de ordem inteiramente positiva. A indústria torna-se preponderante, tendo como atividade única e permanente a produção.

2. Émile Durkein
No pensamento durkeiniano a sociedade prevalece sobre o indivíduo, pois quando este nasce tem de se adaptar às normas já criadas, como leis, costumes, línguas, etc. O indivíduo, por exemplo, obedece a uma série de leis impostas pela sociedade e não tem o direito de modificá-las.
Para Durkein o objeto de estudo da Sociologia são os fatos sociais. Esses fatos sociais são as regras impostas pela sociedade (as leis, costumes, etc. que são passados de geração à geração). É a sociedade, como coletividade, que organiza, condiciona e controla as ações individuais. O indivíduo aprende a seguir normas e regras que não foram criadas por ele, essas regras limitam sua ação e prescrevem punições para quem não obedecer aos limites sociais.
Durkein propôs um método para a Sociologia que consiste no conjunto de regras que o pesquisador deve seguir para realizar, de maneira correta, suas pesquisas. Este método enfatiza a posição de neutralidade e objetividade que o pesquisador deve ter em relação à sociedade: ele deve descrever a realidade social, sem deixar que suas idéias e opiniões interfiram na observação dos fatos sociais.
O Método de Durkein
Objetividade do fato social:
• Para o estudo ser científico, os fatos sociais devem ser estudados de forma neutra, isto é, o pesquisador deve se distanciar do fato para não influenciar os resultados de seu estudo.
• Os sentimentos podem distorcer a realidade dos fatos. A neutralidade exige também a não-interferência do cientista no fato observado.
• O trabalho científico exige a eliminação de qualquer traço de subjetividade.
• Os fatos sociais devem ser encarados como coisas. (independente do que os indivíduos pensarem a respeito).
Classificação dos indivíduos
Partindo de sua concepção da generalidade, Durkein classifica os fatos como normais ou patológicos, ou seja,
• Normal quando não extrapola os limites dos acontecimentos mais gerais de uma sociedade e que reflete os valores e as condutas aceitas pela maior parte da população. Desempenha função importante para a evolução e adaptação da sociedade.
• Patológico é aquele fato que se encontra fora dos limites permitidos pela ordem social e pela moral vigente. São considerados transitórios e excepcionais.
A instituição social
Para Durkein, a instituição social é um mecanismo de proteção da sociedade.
É o conjunto de regras e procedimentos padronizados socialmente, reconhecidos, aceitos e sancionados pela sociedade, cuja importância estratégica é manter a organização do grupo e satisfazer as necessidades dos indivíduos que dele participam.
As instituições são portanto conservadoras por essência, quer seja família, escola, governo, polícia ou qualquer outra, elas agem fazendo força contra as mudanças, pela manutenção da ordem.
A sociedade anômana
Em sua época, as instituições sociais se encontravam enfraquecidas, havia muito questionamento, valores tradicionais eram rompidos e novos surgiam, muita gente vivendo em condições miseráveis, desempregados, doentes e marginalizados. Aos problemas que ele observou, ele considerou como patologia social, e chamou aquela sociedade doente de “Anômana”.
Uma sociedade sem regras claras, sem valores, sem limites leva o ser humano ao desespero. Preocupado com esse desespero, Durkein se dedicou ao estudo da criminalidade , do suicídio e da religião.
A sociedade anômana e o papel do cientista social
O papel do sociólogo seria portanto estudar, entender e ajudar a sociedade a vencer suas anomias.
O homem que inovou organizando uma nova ciência, inovava novamente se preocupando com fatores psicológicos, antes da existência da Psicologia.

A divisão do trabalho social
Na tentativa de “curar” a sociedade da anômana, Durkein escreve “A divisão do trabalho social”:
• Descreve a necessidade de se estabelecer uma solidariedade orgânica entre os membros da sociedade.
• O importante para Durkein é que o indivíduo realmente se sinta parte de um todo, que realmente precise da sociedade de forma orgânica, interiorizada e não meramente mecânica.
• Refletindo sobre a importância da dependência entre os membros da sociedade, inúmeros estudiosos que se seguiram a Durkeim desenvolveram o que ficou conhecido como “Funcionalismo”.

3. Max Weber
Para Weber a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais. Estas são todo tipo de ação que o indivíduo faz, orientando-se pela ação de outros.
Só existe ação social, quando o indivíduo tenta estabelecer algum tipo de comunicação, a partir de suas ações com os demais.
Weber estabeleceu quatro tipos de ação social. Estes são conceitos que explicam a realidade social, mas não são a realidade social:
• ação tradicional: aquela determinada por um costume ou um hábito arraigado;
• ação afetiva: aquela determinada por afetos ou estados sentimentais;
• racional com relação a valores: determinada pela crença consciente num valor considerado importante, independentemente do êxito desse valor na realidade;
• racional com relação a fins: determinada pelo cálculo racional que coloca fins e organiza os meios necessários.
Nos conceitos de ação social e definição de seus diferentes tipos, Weber não analisa as regras e normas sociais como exteriores aos indivíduos.
Para ele as normas e regras sociais são o resultado do conjunto de ações individuais.
Na sua concepção o método deve enfatizar o papel ativo do pesquisador em face da sociedade.

4. Karl Marx
Com a base de sua filosofia, mesmo sem querer ser um sociólogo, Marx acaba por desenvolver uma linha de explicação sociológica. Chegou à conclusão de que somente a partir do ponto de vista de quem não tem absolutamente nada a perder se pode almejar a vislumbrar a verdade. Adotando o ponto de vista dos trabalhadores criou um ferramental intelectual inédito e até hoje embatido para a compreensão do Real. Com base no socialismo chamado “utópico” dos franceses, da filosofia clássica alemã (em particular o materialismo de Feuerbach e a dialética de Hegel) e a economia clássica inglesa construiu o MATERIALISMO DIALÉTICO, filosofia voltada não apenas à ascensão da classe trabalhadora ao poder, mas à libertação de toda a espécie humana de toda a classe de opressão e exploração.
• O capitalismo separa o trabalhador dos meios de produção.
• Os meios de produção se tornaram propriedade privada do capitalista à alienação econômica.
• O Estado liberal, baseado no princípio da representatividade, delega a participação política da sociedade a um representante à alienação política.
• O Estado representa a classe dominante e age conforme o interesse desta.
• Necessidade de resgatar a ação política consciente e transformadora.
• O trabalhador vende sua força de trabalho ao capitalista para sobreviver.
• O capitalista impõe as condições desta venda (preço = salário).
• Exército industrial de reserva.
• Para existir classe dominante, é necessária a existência de uma classe dominada.
• “A história do homem é a história da luta de classes”.
• Os indivíduos de uma mesma classe social partilham de uma situação de classe comum.
• As diferenças entre classes têm como resultado diferenças na distribuição do poder.
• Diante da alienação do proletariado, as classes dominantes desenvolveram formas de dominação política que lhes permitirão apropriar-se do Estado.
• Cabe à classe trabalhadora organizar-se politicamente para defender seus interesses.
• Para o capitalismo, a força de trabalho é uma mercadoria.
• Mas não uma mercadoria qualquer: a força de trabalho cria valor.
• O valor de uma mercadoria é o tempo de trabalho socialmente necessário a sua produção.
Exemplo: Mesa: madeira, prego, parafusos, metal
• O valor que o capitalista paga é o valor gasto para produzir todos estes materiais e o valor gasto para produzir a mesa.

Resumindo
A Sociologia surge da busca por uma nova postura filosófica diante do mundo. É preciso organizar a sociedade, e não apenas criticá-la.
É aí que surge Auguste Comte, pensador positivista, que esboça as primeiras teorias sociológicas, dentre elas, a de que os fenômenos sociais, assim como os naturais, obedecem a leis gerais, traçando, assim, a “Lei dos três Estados”:
• No primeiro, os fatos observados são explicados pelo sobrenatural, ou seja, as idéias baseadas no sobrenatural são usadas como ciência. Ainda nesta fase, a sociedade se encontra em uma estrutura militar fundamentada na propriedade e na exploração do solo.
• No segundo, já se encontram as idéias naturais, mas ainda há a presença do sobrenatural nas ciências. A indústria já se expandiu mas não totalmente, a sociedade já não é francamente militar. Pode-se dizer que este estado serve apenas de intermediário entre o primeiro e o terceiro.
• No terceiro, ocorre o apogeu do que os dois anteriores prepararam progressivamente. Neste, os fatos são explicados segundo leis gerais de ordem inteiramente positiva. A indústria torna-se preponderante, tendo como atividade única e permanente a produção.
Já Émile Durkien é quem “pensa” a Sociologia como uma ciência de fato, criando e estabelecendo métodos e conceitos para seu estudo. Define, por exemplo, que na observações dos fatos sociais, alguns aspectos têm de ser analisados com uma metodologia uniforme:
• Objetividade do fato social;
• Classificação dos indivíduos;
• A instituição social.

Max Weber foi fundamental ao estabelecer conceitos de estudo que explicam a realidade social:
• ação tradicional: aquela determinada por um costume ou um hábito arraigado;
• ação afetiva: aquela determinada por afetos ou estados sentimentais;
• racional com relação a valores: determinada pela crença consciente num valor considerado importante, independentemente do êxito desse valor na realidade;
• racional com relação a fins: determinada pelo cálculo racional que coloca fins e organiza os meios necessários.
Assim, Max não analisa as regras e normais sociais como exteriores aos indivíduos.
A partir do conceito das lutas de classes, Karl Marx se torna um grande contribuinte da Sociologia, já que, para entender o capitalismo, teve de pensar cada camada da sociedade e as relações que travam entre si. Seus conceitos são fundamentais para a Sociologia:
• O capitalismo separa o trabalhador dos meios de produção.
• Os meios de produção se tornaram propriedade privada do capitalista à alienação econômica.
• O Estado liberal, baseado no princípio da representatividade, delega a participação política da sociedade a um representante à alienação política.
• O Estado representa a classe dominante e age conforme o interesse desta.
• Necessidade de resgatar a ação política consciente e transformadora.
• O trabalhador vende sua força de trabalho ao capitalista para sobreviver.
• O capitalista impõe as condições desta venda (preço = salário).
• Exército industrial de reserva.
• Para existir classe dominante, é necessária a existência de uma classe dominada.
• “A história do homem é a história da luta de classes”.
• Os indivíduos de uma mesma classe social partilham de uma situação de classe comum.
• As diferenças entre classes têm como resultado diferenças na distribuição do poder.
• Diante da alienação do proletariado, as classes dominantes desenvolveram formas de dominação política que lhes permitirão apropriar-se do Estado.
• Cabe à classe trabalhadora organizar-se politicamente para defender seus interesses.
• Para o capitalismo, a força de trabalho é uma mercadoria.
• Mas não uma mercadoria qualquer: a força de trabalho cria valor.
• O valor de uma mercadoria é o tempo de trabalho socialmente necessário a sua produção.