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A morte de Machado de Assis


[desconstruindo Machado]

 

A teoria da desconstrução em “Memorial do Fim: a morte de Machado de Assis”

“Nada de nada se sabia e se sabe; porque tudo foram fabulações de quem se propôs a arrastar personagens de romance para a vida social.”
Haroldo Maranhão

Haroldo Maranhão em “Memorial do Fim…” desconstrói a obra do bruxo para retratar os últimos dias e a morte de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, Machado de Assis.

A desconstrução contida em um livro como esse de Haroldo Maranhão faz com que o texto aceite várias leituras possíveis, ou seja, os personagens de Machado ganham novos contextos e talvez até outras identidades. Haroldo Maranhão tira do contexto original – os romances escritos – personagens que se confundem com as pessoas que estiveram presentes na vida e nos últimos de Machado.

Então, “Memorial do Fim…” tem a desconstrução como base para reconstruir. Desconstruindo o autor (Machado de Assis) e a sua obra, Haroldo carimba o passaporte para a fantástica ilha da imitação, onde escreve como se fosse o próprio Machado contando seus últimos dias, se apropria de seus personagens e ainda dá a esses personagens identidades múltiplas que fazem o leitor mais desatento se perder em meio a tantos nomes. Temos aí uma D.Carmo que é Carolina, Carolina que é Fidélia, Fidélia que é também Marcela e Marcela que pode ser uma nova paixão do escritor. Além disso, em alguns momentos Machado é ele mesmo, em outros Machado é Aires.

Da desconstrução faz-se o novo e o novo vem cheio de pequenos pedaços do velho. Está aí uma “licença” para que o livro todo tenha um certo gosto “machadiano”. Isso não está só nos personagens que saem dos livros da ficção e saltam para um outro que parece ser um livro de ficção-biográfica-pré-morte, mas também no estilo de escrever.

Os títulos dos capítulos vêm com a marca do bruxo já registrada, por exemplo, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”: “Memorial do Fim…” (capítulo XV – Um evento de 1876); “Memórias Póstumas…” (capítulo XII Um episódio de 1814). Isso junto com o tratamento dado aos leitores – embora em graus diferentes: enquanto Machado conversa com o leitor, Haroldo deixa para o leitor armadilhas e pistas – pode ser encarado como pequenos pedaços desconstruídos da obra e da genialidade de Machado de Assis, reconstruídos quase como num mosaico.

MARANHÃO, Haroldo – Memorial do Fim: a morte de Machado de Assis – 2. ed. – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2004.

ASSIS, Machado – Memórias Póstumas de Brás Cubas – São Paulo: Editora Martin Claret, 2004.