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Paulo Leminski
…viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte…
A escrita leminskiana me leva ao êxtase. Diz tudo que se tem a ser dito com meia dúzia de palavras-navalha, corta a carne de quem lê e deixa exposta a intensidade de uma poesia pura, de um espírito criativo, de uma mente insanamente brilhante.
Pode parecer exagero tudo isso, eu admito. Mas o fato é que não existe poeta curitibano – leia-se brasileiro – que alcance a genialidade de Leminski. Com Leminski, poesia é tontura, é soco na jugular e frio na barriga. O cara sabia o que fazia, e fazia com gosto.
Antes de Leminski – para mim, é claro – só Fernando Pessoa. Irônico e cortante como o luso poeta, Leminski invadiu a minha pacata vida de pessoinha sonhadora quando, numa tarde sem sol na biblioteca pública, encontrei um livro. Não era dele. Era a biografia.
Na capa, um sujeito alto e bigodudo. E o título era promissor: “O Bandido que sabia Latim”. Toninho Vaz, o autor da biografia, escreveu uma história tão envolvente que acabei lendo o livro todo em uma noite só. Acabei apaixonada pela obra e pelo poeta.
E da poesia, um soquinho na boca do estômago:
PARADA CARDÍACA
Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure
vem de dentro
Vem da zona escuradonde vem o que sinto
sinto muito
sentir é muito lento
Coisa que enlouquece uma curitibana, especialmente apaixonada por Leminski, é ver como Curitiba é madrasta para os seus filhos artistas. Leminski virou nome da pedreira. E é só isso. Antes ainda acontecia o Perhappiness, mas agora não há mais nada. É bem provável que a maioria dos curitibanos nem saiba que o tal Leminski da pedreira é o Leminski gênio-poeta.
Curitiba é mesmo um cu!
PRA QUE CARA FEIA?
NA VIDA
NINGUÉM PAGA MEIA
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